A volta às aulas e o espaço seguro que é a escola

Para muitos estudantes, agora é hora de iniciar um novo ciclo. A volta às aulas é esperada para rever os amigos e professores, adquirir mais conhecimento e experiências. Depois dos meses de férias, este retorno significa também voltar a um espaço seguro que é a escola, local de escuta,  acolhimento e proteção para as crianças e adolescentes contra diversas formas de violência, inclusive a exploração sexual.

A construção desse espaço de proteção para os jovens só é possível porque os professores vão muito além no seu papel de educadores, são agentes fundamentais para a garantia de direitos dos alunos, para também atuarem de forma a acolher e auxiliar com questões complexas que enfrentam. Conscientizar, sensibilizar e dar ferramentas a esses professores de como agir em caso de suspeita de violência, tem sido uma maneira extremamente importante no enfrentamento às diversas formas de violência, que causam  tanta dor entre crianças e adolescentes e são, muitas vezes responsáveis pela evasão escolar.

Por acreditar nesse potencial mobilizador e transformador dos professores, o Instituto Liberta realizou no ano passado 182 rodas de conversa nas sobre o tema Enfrentamento à Exploração Sexual com professores das escolas da rede estadual de educação de São Paulo. Foram 30 mil quilômetros percorridos para falar com cerca de 6 mil professores, que se comprometeram a reforçar a luta contra a exploração e o abuso sexual infantil, levando as reflexões aos demais profissionais da escola, o que resultou em cerca de 200 mil profissionais impactados.

Vamos falar sobre  o assunto?  Esta é a proposta do Liberta. As escolas, segundo os resultados apurados pela Secretaria de Educação, aumentaram em cerca de 300% as denúncias de violência sexual sofrida e relatada pelos alunos, após as rodas de conversa. De 464 casos denunciados entre 2016 e 2017, passou-se a 631 só em  2018, o que demostra a grandiosidade e importância do trabalho.

“As rodas de conversa, promovidas pelo Instituto Liberta e coordenadas pela profa. Cristina Cordeiro, tocaram em um tema que, embora seja recorrente e perturbador, é pouco discutido nas nossas escolas: a violência sexual de vulneráveis”, escreve Sandra Maria Fodra, do Sistema de Proteção Escolar. “Durante as rodas, os servidores foram sensibilizados e conscientizados sobre as possíveis consequências sofridas pelos meninos e meninas que sofrem violência sexual e orientados quanto aos procedimentos a serem realizados nos casos identificados nas escolas”.

Diante do expressivo resultado, o Instituto Liberta defende que a escola é um espaço de proteção e que professores são agentes  que podem, através da denúncia, encerrar um ciclo perverso de violência sexual, transformando a vida dos seus alunos. O momento de volta às aulas deve ser aproveitado para reforçar esta ideia.

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