Anjos das estradas

O programa Na mão certa completou uma década no ano passado e, desde então, mudou completamente a realidade das estradas brasileiras.  Até 2005, o problema da exploração sexual de crianças e adolescentes era praticamente invisível. Não que ele não existisse, claro. Simplesmente, os caminhoneiros não vivenciavam o fato  como algo errado pois isso fazia parte da cultura em que estavam inseridos há muito tempo.  “Até então nunca ninguém tinha explicado para eles que se relacionar sexualmente com meninos e meninas menores de idade é crime”, afirma Eva Dengler, gerente de projetos e de programas da Childhood Brasil.

A partir da necessidade de mudar esse triste cenário nasceu o Programa Na mão certa, hoje replicado em vários países do mundo graças ao seu sucesso. “Ao trazer todos os caminhoneiros para um mesmo nível de conhecimento, percebemos que eles poderiam se transformar em agentes de proteção das crianças”, completa. Felizmente, o que era uma percepção mostrou-se como uma estratégia das mais eficientes.

Voltado para a capacitação de caminhoneiros, o Programa Mão na Estrada vem transformando a realidade das rodovias brasileiras há mais de dez anos.

Não é exagero dizer que ao longo desses anos, o Programa mudou a realidade das estradas brasileiras. Em 2005, cerca de 37% dos profissionais tiveram algum contato com a questão da exploração sexual de crianças e adolescentes. Hoje, somente entre 13% deles ainda perpetua esse tipo de atividade. “Nesses últimos dez anos, houve uma grande conscientização de todos os envolvidos no processo”, comemora Eva. “Eles são os nossos heróis da infância e a gente busca isso cada vez mais”.

Tamanho avanço não nasceu da noite para o dia, ele só foi possível graças à união de vários atores da sociedade e, sobretudo, do setor empresarial que se mobilizou para dar um basta a um mal que leva embora a chance de um desenvolvimento saudável de milhares de crianças e adolescentes de todo país. Ao longo dos últimos dez anos, mais de um milhão de caminhoneiros foram engajados como agentes de proteção por meio da educação continuada promovida pelas mais de 1600 empresas e entidades participantes.

Por Carla Leirner

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