Justiça ao alcance de todas

Um dos países mais pobres do mundo, a Índia ostenta tristes estatísticas quando o foco são suas crianças e adolescentes. De acordo com dados recentes, cerca de  1,2 milhão de meninas são empurradas desde cedo para a prostituição forçada. Muitas crianças são atraídas para esse tipo de atividade com base em falsas promessas e outras são sequestradas ou vendidas pela própria família.

Tal número faz com que o país tenha um dos maiores contingentes de prostitutas infantis do planeta.  Esse triste cenário traz, entre outras coisas, meninas menores de idade — algumas com apenas sete anos —trabalhando em prostíbulos como escravas. Essas vítimas, mediante tortura, são obrigadas a fazer sexo, às até vezes com 20 homens diferentes a cada dia.

Para quebrar esse ciclo e combater a impunidade, a organização não governamental Free a Girl Movement, com sede em Mumbai,  criou no início de 2017 a School of Justice (Escola de Justiça). A iniciativa foi concebida para transformar jovens, vítimas de abuso e exploração sexual, em advogadas e promotoras para garantir proteção para si mesmas e para aquelas que vivem em situação de risco. “Queremos cultivar uma cultura que puna os criminosos por trás da prostituição infantil”, afirma Francis Gracias, CEO e porta-voz da Free a Girl Movement. “Isso só será  possível por meio da educação e  da capacitação das vítimas para que tenham o poder legal de buscar justiça”.

A primeira turma contabiliza 19 mulheres entre 19 e 26 anos, elas mesmas vítimas de algum tipo de exploração sexual. Ao longo de aproximadamente seis anos, elas serão preparadas para atuar principalmente nos casos de exploração sexual comercial.

De acordo com a ONG, poucos traficantes são condenados porque os casos são muitas vezes abandonados, devido à falta de evidências e à falta de advogados especializados em exploração sexual. Em 2015, apenas 55 ocorrências levaram à condenações em todo o país.

O Free a Girl também atua em Fortaleza, no Brasil, onde apoia projetos como o Maria Mãe da Vida, voltado prioritariamente a meninas grávidas que vivem em favelas.

Por Carla Leirner

Na Índia, a School for Justice capacita mulheres para atuar nos casos de exploração sexual comercial.

 

 

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