O cenário da exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas do país

A crença de que a exploração sexual de crianças e adolescentes se restringe a lugares ermos, no interior do Nordeste, mais uma vez provou sua inconsistência a partir do último levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em parceria com a ONG Childhood Brasil.

A mais nova versão do Mapear, que reúne dados de 2017 e 2018, aponta que 59,5% deles estão em áreas urbanas. “Na realidade, os pontos mais críticos situam-se nos locais de acesso mais fácil, facilitando a oferta de crianças e adolescentes para os “clientes” de programas sexuais”, afirma Eva Cristina Dengler, Gerente de Programas e Relações Empresariais da Childhood Brasil.

No total, o país contabiliza 2.487 pontos vulneráveis para exploração sexual, um acréscimo de 26% em relação ao biênio de 2013/2014. São considerados pontos de vulnerabilidade todos os locais que apresentem algum risco para crianças e adolescentes que vivem ou passam pela região. Os mais comuns nas rodovias são postos de combustíveis, bares, casas noturnas, pontos de alimentação e de hospedagem.

O maior aumento total de pontos vulneráveis se deu na região Norte (de 160 pontos para 404), na Nordeste (de 475 pontos para 644) e na Sul (448 para 575).

Foto Jarbas Oliveira/Folha Press

A boa notícia é que, apesar do crescimento, o estudo mostra uma queda significativa dos pontos críticos, ou seja, mais suscetíveis à exploração sexual de crianças e adolescentes. Houve uma redução de 77 pontos, aproximadamente 14%, do biênio 2013/2014 para 2017/2018. Os números são ainda mais animadores se comparados com o biênio 2009/2010: uma diferença de 435 pontos, cerca de 47%.

“Essa queda de pontos críticos indica uma ‘interiorização’ do problema para as rodovias estaduais e se deve ao maior aumento da repressão e à forte disseminação de campanhas preventivas e educativas que incentivam, entre outras coisas, o uso do Disque 100 para quem trafega nas rodovias federais”, explica Eva.   “Isso traz uma urgência para a transferência da metodologia do MAPEAR às Polícias Rodoviárias dos Estados mais críticos.”

O estado que ocupa o primeiro lugar em número é o Ceará, com 81 pontos críticos. Em seguida, está Goiás com 55 pontos de alta vulnerabilidade.

De 2005 até hoje, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) retirou de locais de risco em rodovias e estradas federais um total de 4.766 crianças e adolescentes.

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