O Início da Jornada

“O que é exploração sexual? Aqui, não há certo ou errado. Me digam a primeira coisa que vem à sua mente quando faço essa pergunta.” – Foi assim que minha jornada começou. Em uma manhã, passei nas 14 salas de Ensino Médio da EE República do Panamá, localizada na zona sul de São Paulo, divulgando o Projeto Tá na Hora.

O projeto consiste em um programa de oficinas, patrocinado pelo Instituto Liberta e liderado por Amanda Sadalla, dedicadas aos jovens do Ensino Médio de Escolas Estaduais de São Paulo. Um projeto feito para os estudantes, os quais, a partir de suas dúvidas e curiosidades, são provocados a deixarem preconceitos e resistências, para vivenciarem a construção de uma solução para o desafio final: a execução de uma campanha de conscientização social que impacte o maior número de pessoas na escola e em suas comunidades .

Antes de trazer qualquer informação, busquei, ao abrir a porta de cada sala de aula para divulgar o projeto e perguntar “O que é exploração sexual?”, entender o que esses jovens conhecem, pensam e desejam saber sobre o cenário de exploração sexual no Brasil. Ao longo das primeiras oficinas fomos construindo um espaço de conforto e apoio, com espaço para dúvidas, aprendizado de conceitos e compartilhamento de histórias pessoais.  

Por trás desse percurso, me inspiro na chamada Teoria U*, de Otto Scharmer, professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT). A teoria se baseia em sete capacidades fundamentais de liderança. Aqui, chamo a atenção para três dela:

  • Capacidade de ouvir: o ouvir o outro. O ouvir a si mesmo. E ouvir aquilo que surge do coletivo. O ouvir requer um espaço aberto e seguro, no qual os outros podem contribuir para o todo.
  • Capacidade de observar: saber desligar  a “voz do julgamento”.
  • Capacidade de cristalizar: quando um pequeno grupo de pessoas se compromete com o objetivo e os resultados de um projeto, o poder da sua intenção cria um campo de energia que atrai pessoas, oportunidades e recursos que fazem as coisas acontecerem.

De forma simplificada, costumo explicar o percurso aos alunos:

“Primeiro, vocês irão adentrar a temática de exploração sexual mas para isso, também, irão conhecer melhor vocês mesmos e entender a sua conexão com esse assunto. Essa é a descida do U. Vocês irão descer até o fundo do U, esse é o momento de refletirmos sobre tudo o que foi vivenciado até então. Depois, quando estiverem totalmente conectados a si mesmos e ao objetivo do projeto, repletos de conhecimentos, é a hora da subida do U:  criar, a partir de tudo o que foi aprendido na descida, o produto final, a campanha de comunicação!
A cada novo conhecimento que vocês acessarem nesse percurso, tenham sempre uma pergunta em mente: como levar esse conhecimento para mais pessoas?”.

Primeira oficina na EE Waldir Rodolpho – Capão Redondo, São Paulo.

Convido a todos e todas a acompanharem o Tá na Hora, as descobertas e criações dos mais de 300 estudantes participantes. Meu nome é Amanda, sou administradora pública e facilitadora de oficinas educativas na temática de Direitos Humanos. Liderando as oficinas do Tá Na Hora, pretendo durante os próximos meses compartilhar nesse espaço as experiências vividas com estudantes de seis escolas do Estado de São Paulo.

*Quer saber mais sobre a Teoria U?

Acesse: https://inovforum.fgv.br/pauta/teoria-u/

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