Papo Liberta vai até Marabá no Pará para enfrentar a exploração sexual de crianças e adolescentes

A Mineradora Buritirama, parceira do Instituto Liberta, está patrocinando uma ação de conscientização das consequências da exploração sexual na vida de crianças e adolescentes no estado do Pará. A proposta é levar esta reflexão a todas as escolas e preparar os professores para o enfrentamento.

A primeira etapa foi realizada semana passada e envolveu cerca de 800 trabalhadores da mina de extração de manganês. A empresa fez questão de declarar sua intolerância com a prática deste crime e também preparar seus colaboradores para serem agentes de transformação nas comunidades em que residem, próximas da mina.

Foram dias de bate papo com a diretora do Instituto, Cristina Cordeiro, que apresentou dados estatísticos, além de depoimentos de crianças que revelam a destruição de suas vidas quando iniciam a troca sexual por dinheiro e outras vantagens “É difícil imaginar o sofrimento de crianças e adolescentes envolvidos na exploração sexual, talvez porque eles e elas não demonstrem, mas as consequências são desastrosas”. A legislação também é apresentada para que o texto legal revele o que parece natural em nossa sociedade: Exploração sexual é crime! Sexo com crianças até 14 anos é estupro de vulnerável! Trocas sexuais por dinheiro ou outras vantagens até 18 anos é crime de exploração sexual!

O público participa com depoimentos e há momentos muito emocionantes com revelações pessoais, de infâncias marcadas por violência e vivência traumáticas, como a de uma operadora de máquina que teve uma infância marcada pelo assédio, já que desde muito cedo teve que vender artigos nas ruas para ajudar a mãe a sobreviver. Ela conta que era comum a sedução com propostas de uma vida melhor: “Eu recebi uma educação que me ajudou a resistir, mesmo que a fome fosse presente na minha vida”.

No encerramento houve o comprometimento do grupo em ajudar a espalhar a campanha e falar sobre esse assunto com familiares e nas vilas em que vivem. Surgiram propostas de distribuição dos folhetos e encaminhamentos dos vídeos da campanha por Whatsapp.

Iniciativas como esta ajudam a falar do assunto e a desnaturalizar o sexo com crianças em nosso país.

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