Tolerância zero

Para fortalecer a luta contra a exploração e o abuso sexual, cujas maiores vítimas são mulheres e crianças, o Departamento de Apoio ao Campo da Organização das Nações Unidas (ONU) formatou um programa de ensino à distância obrigatório para todos os funcionários uniformizados e civis das forças de paz da organização, criadas para atuar em zonas de conflito armado. O curso será traduzido em todas as línguas oficiais da ONU, bem como nos idiomas de países que contribuem com tropas e policiais.

Entre outras coisas, o curso nasce como uma resposta às crescentes notícias de estupros e troca de vantagens por sexo cometidos por aqueles que deveriam proteger em nome da comunidade internacional.

De acordo com subsecretário-geral da ONU para Apoio de Campo, Atul Khare, a iniciativa, que recebeu financiamento do governo do Japão, é parte do esforço mais amplo da ONU de implementar uma série de medidas disciplinares e preventivas, inclusive contra má conduta praticada pelos próprios funcionários da entidade.

Para minimizar os casos de abuso e exploração sexual nas áreas de conflito, a ONU está capacitando os integrantes da força de paz para combater o problema.

Criado em 2016, o programa reforça o papel da ONU de tolerância zero para crimes que envolvam o abuso e a exploração sexual, mesmo as que ocorreram fora das suas forças e não foram confirmados. A Organização possui atualmente pouco mais de 125 mil pessoas provenientes de mais de 120 países atuando em 16 missões de paz. Em 2015, foram 99 casos investigados.

Pelas regras da ONU são terminantemente proibidos: troca de dinheiro, emprego, bens, serviços ou qualquer outro tipo de assistência por sexo; qualquer contato sexual com menores de 18 anos; uso de crianças ou adultos para obter serviços sexuais; e relações sexuais com a população local e prostitutas durante os afastamentos do serviço, incluindo licenças da ONU, dentro ou fora da área da missão.

Por Carla Leirner

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