Turismo sexual: um problema que não pode ser ignorado

A proximidade do Carnaval, maior festa popular brasileira, faz com que o turismo sexual volte a ganhar os holofotes. No entanto, esse assunto deveria ser debatido durante o ano todo – afinal, o Brasil ocupa a (vergonhosa!) segunda colocação no ranking dos países onde o problema é mais grave, perdendo somente para a Tailândia. O pior é que, no esquema armado em torno do sexo pago, há outras questões envolvidas: o comércio de drogas, a falsificação de documentos, o tráfico de mulheres e a exploração de crianças e adolescentes.

O Brasil recebeu, de acordo com o Ministério do Turismo, 6,6 milhões de visitantes em 2016 – ano das Olimpíadas no Rio de Janeiro –, mas não é possível cravar quantos turistas aterrissaram por aqui atrás de sexo fácil e barato. Uma pesquisa realizada pela Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa indica que aproximadamente 250 mil pessoas viajam todos os anos para o exterior com o objetivo de manter relações sexuais com menores de idade.

O Nordeste é a região brasileira mais afetada pelo turismo sexual infantojuvenil, já que atrai um número expressivo de estrangeiros, sobretudo europeus. No entanto, os turistas internos – ou seja, que se deslocam dentro do próprio país – também não podem ser ignorados. Eles viajam principalmente a trabalho, caso de motoristas e funcionários de empresas aéreas, por exemplo.

É preciso deixar claro que explorar sexualmente crianças e adolescentes, ainda que eventualmente, é crime, com punição prevista em lei.

Rede organizada

Para que a exploração de menores aconteça, geralmente há um grupo de pessoas apoiando o crime: taxistas, vendedores de estabelecimentos comerciais e funcionários de casas noturnas, de hotéis e de pousadas, sem falar de aliciadores. Eles atraem as vítimas subornando-as ou fazendo falsas promessas – muitas vezes também “compram” os menores dos próprios pais, que vivem em dificuldades financeiras. Fato é que o turismo sexual movimenta uma grande quantia de dinheiro mundo afora e as redes com vínculos no exterior atuam no Brasil ao longo de todo o ano.

São vários os motivos que levam crianças e adolescentes, principalmente meninas, a ingressarem no turismo sexual: violência doméstica, abandono, desestruturação familiar, falta de perspectivas, uso de drogas, dificuldades financeiras e até a vontade de realizar sonhos de consumo. De qualquer forma, a exploração sexual de menores nunca pode ser interpretada como consentida ou desejada.

 

O turismo sexual é um dos tipos de exploração de crianças e adolescentes 

 

O que tem sido feito    

Muitos estabelecimentos ligados à rede hoteleira têm permitido a entrada de crianças e adolescentes só depois de comprovado o grau de parentesco que eles têm com o adulto. No entanto, nos flats e imóveis reservados pelo AirBnB a fiscalização praticamente não existe, assim como em pequenas hospedarias e em postos de gasolina.

Como você pode ajudar

Se souber de algum caso envolvendo a exploração sexual de crianças e adolescentes, faça uma denúncia pelo Disque 100 (a ligação é gratuita e você não precisa se identificar) ou pelo aplicativo Proteja Brasil, disponível para iOS e Android. Outra opção é procurar o Conselho Tutelar da sua cidade.

 

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