VISITA À UNIVERSIDADE DE COLUMBIA EM NOVA YORK

Seis professoras de Escolas públicas do estado de São Paulo conheceram a Universidade de Columbia em Nova York e trocaram experiências sobre abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes

Em 2018 o Instituto Liberta lançou um desafio para os 200 mil profissionais da educação estadual de São Paulo: pensar estratégias para combater a exploração sexual e trabalhar em rede pela proteção dos seus alunos. Os melhores projetos foram premiados com uma viagem à Nova York para conhecer a Universidade de Columbia, parceira do Instituto Liberta, aprofundar seu conhecimento sobre a temática e compartilhar os trabalhos realizados.

Na viagem as professoras puderam apresentar os seus projetos e entender melhor as estratégias para superar os desafios. Maria Elizabeth Oliveira e Giovana Loli descreveram o relato da aluna Bia e os desafios de lidar com um tema tão complexo. Revelaram as fragilidades no cumprimento da lei que criminaliza o abuso sexual e a sobrecarga da rede de proteção para realizar o atendimento às vítimas. Já Bruna Zafani e Livia Alves, jovens professoras de Português e Matemática saíram da metodologia habitual das suas aulas e partiram para uma conversa direta com os adolescentes, criaram um canal no youtube e usam as redes sociais para orientar e encaminhar quem sofre com essa terrível violência. Mesmo morando em regiões distantes a Dirigente de Ensino de Piraju, Sandra Tonon e a Supervisora de Ensino de Jacareí, Daniela Paula, propuseram liderar a rede de proteção em suas cidades e já efetivaram protocolos que garantem encaminhamentos seguros para quem precisa de um atendimento multidisciplinar.

As professoras tiveram uma programação intensa com encontros e reuniões com profissionais da Universidade de Columbia que trabalham com o tema da violência sexual contra crianças e adolescentes.

Na Universidade puderam conhecer a advogada em Direitos Humanos, Linda Amrou, que atua principalmente com refugiados, desenvolvendo um programa de formação de professores para que percebam os efeitos dessa mudança de vida na aprendizagem. Ela falou sobre a fragilidade na proteção desse grupo às violências.

O Professor Mark Canavera, Diretor da Rede de Aprendizagem de Cuidados e Proteção de Crianças de Columbia contou sobre seus estudos em formas eficazes de combater a violência sexual. Foi possível conhecer essas estratégias, retratadas no relatório INSPIRE, que apresenta medidas básicas para o enfrentamento à violência contra crianças. Entre elas estão normas e valores, orientações para pais e cuidadores, investimento em serviços públicos eficazes e fortalecimento do sistema judiciário. Ele também alertou para necessidade de se apoiar as vítimas de violência e os profissionais da rede de proteção, uma vez que estão muito expostos ao contato com a violência.

As professoras também conversaram com a Diretora de Operações de Resposta a Violência Sexual do Centro de Combate à Violência da Universidade de Columbia, Ashley Delphia, que explicou o funcionamento do centro e do programa voltado a alunos da Universidade que sofreram ou praticaram violência. Nos Estados Unidos, como no Brasil, a maioria dos agressores faz parte da família das vítimas. Portanto, foi preciso pensar um trabalho em que eles estejam envolvidos, na expectativa de perceberem as consequências da violência na vida das vítimas. Os casos de abuso sexual relatados são denunciados para a justiça que se encarrega de um processo criminal, mas o programa procura minimizar os danos com atendimento psicológico, auxílio moradia e transporte. Os comportamentos sexuais violentos nos campus universitários também estão sendo discutidos pelo programa.

A experiência com os profissionais da Universidade foi importante para fundamentar hipóteses e convicções, aprofundando estudos que ao longo desses dois anos de encontros promovidos com o Instituto Liberta e a Columbia Global Center do Rio de Janeiro vêm sendo evidenciados com o grupo de professores

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