Tá na Hora de Falar com a Família!

Como transformar pessoas alheias ao tema da exploração sexual em agentes de transformação?

Essa é a pergunta que move as oficinas do Programa Tá na Hora.

Para responderem os alunos precisaram, antes de tudo, entender o que seus pais, familiares, colegas, professores e vizinhos pensam e sabem sobre a exploração sexual. Portanto, nas últimas semanas, os alunos das seis escolas participantes do Tá na Hora realizaram entrevistas com pessoas de sua casa, bairro e escola sobre o tema.

A maioria dos estudantes se decepcionou com as respostas que tiveram:

“Minha mãe disse que não existe sexo forçado”.

“Meu irmão disse que exploração sexual é ‘gostoso’. Eu fiquei muito nervosa. Como ele pode pensar isso?”

“Minha amiga de 15 anos disse que não sabe o que é exploração sexual”

“Várias pessoas se afastaram quando eu disse o tema da entrevista. Disseram que não queriam falar sobre esse assunto”.

A partir daí os alunos puderam expressar com criatividade o que sentiram nas entrevistas. Os resultados foram poemas, teatro, músicas e desenhos.

Gabriel, através dos versos, destacou a negligência social:

“Quando saí em busca de informação,
Percebi que nem todos procuram saber dessa tal exploração,
Somos crianças, somos mulheres, somos “frágeis”, ou “melhor”, vítimas da nação.
Pouco homem conhece o tema, e muita mulher foge da cena…”

Lucia vivenciou a dificuldade de abordar o tema com sua família:

“(…) Deitada no meu quarto escrevendo os resultados,
Percebi que minha família, foi a única que não quis expor sua opinião sobre o tema em questão,
Eles se sentiram desconfortáveis com a pergunta sobre exploração”.

Alunos registram os resultados das entrevistas.

Em Jacareí, um grupo de meninas e meninos utilizou o rap, ritmo que faz parte do seu dia a dia, para tirar as pessoas de sua zona de conforto sobre o assunto:

“Não abra só os olhos

Também abra sua mente.

Tem gente se aproveitando de crianças inocentes.

Conscientização é o nosso trabalho

Se quer saber mais,

Nós somos o atalho.

Sexo pago nem sempre é consentido

Você deve estar se perguntando o que você tem a ver com isso.

Muitos coração são desperdiçados por dia

Isso na sociedade é uma das maiores covardias (…).”

Em São Paulo, Mariana e Flávia expressaram em um desenho o que acreditam que uma criança vítima de exploração sexual sente.

As respostas encontradas reforçam o que o Instituto Liberta entende como a principal estratégia para enfrentar a exploração sexual: a conscientização social.

O primeiro passo foi dado: entender o que a sociedade pensa sobre o tema.

Agora, as turmas estão dedicadas a compreender o cenário da exploração sexual no Brasil e o funcionamento das leis, políticas públicas e serviços sociais em seus bairros. Mas essa história fica para o próximo post!

Acompanhe!

*Os nomes dos estudantes citados nesse texto foram alterados para manter suas privacidades.

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